segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Sem nunca ter lido um livro 'grande', Leandro, do KLB, estreia na Assembleia


Ele nunca leu um "livro grande" e não entende de política. É do PSD, o partido de Kassab, mas o que importa mesmo são outras três letras. "Sigla para mim é só KLB."
Em 1º de fevereiro assume, ou melhor, estreia na Assembleia Legislativa de São Paulo o deputado estadual Leandro do KLB, 30 anos.
Na eleição de 2010, Leandro Finato Scornavacca recebeu pouco mais de 62 mil votos. Ele chega ao cargo depois que o titular, Ary Fossen (PSDB), morreu e outros três suplentes renunciaram para assumir prefeituras do Estado.
Tomou posse no último dia 3 e foi clicado pela imprensa com um estranho visual: terno e gravata. "Vou ter que usar só no plenário. Fora, pode roupa normal", conta.
Com 12 anos de carreira artística e cerca de 5 milhões de CDs vendidos, Leandro está aprendendo a circular pelos corredores da Assembleia. Não se perde mais no caminho do seu novo gabinete, o 1.020, que está sendo decorado pela mãe.
Ele não conhece os detalhes da decoração, mas sabe que terá uma imagem de São Miguel Arcanjo, de quem é devoto. O santo, aliás, será tatuado no bíceps direito do deputado. No tríceps está o logotipo do KLB. Já no braço esquerdo, tem Jesus no tríceps e "The Twilight Zone", uma série de TV, no bíceps.
Leandro é boxeador profissional, treinado pelo conceituado Miguel de Oliveira, ex-Maguila. Apesar de não participar de campeonatos, faz sparring, ou seja, ajuda no treinamento de pugilistas famosos.
Seu nariz todo mole, com a cartilagem quebrada em diversos pedaços, já passou por Popó, Vitor Belfort e outros.
Desde criança, Leandro gosta de esportes. Já os estudos não são o seu forte. Repetiu as 2ª e 5ª séries (hoje 3º e 6º ano do fundamental) e foi expulso de escolas "várias vezes". "Era bagunceiro, não estudava muito, explodi os banheiros da escola."
Nesse tempo de colégio, leu os livros obrigatórios, "aqueles pequenininhos". "Mas não considero como livros, eram finos, não se aprofundavam tanto no tema. Livro grande mesmo nunca li."
Ele tem três na prateleira que já começou a folhear, mas não consegue terminar: o best-seller "A Cabana", de William P. Young, "O Príncipe", de Maquiavel, e um "de mistério, assassinatos", de que não se lembra o nome.
Não acredita que o fato de não ler e de não ter feito faculdade atrapalhe o seu trabalho como deputado. "Não faz a menor diferença. Embora a leitura seja importante, a gente tem a oportunidade de viajar o Brasil inteiro, de conhecer as pessoas, os lugares e suas dificuldades."
Ele e seu irmão Kiko (o K do KLB) entraram na política a convite de Kassab. Em 2011, para deixar o DEM e fundar o PSD, o ex-prefeito de São Paulo usou a estratégia de convidar famosos.
Após uma campanha contra a pedofilia, Leandro diz que irá "defender a família e as crianças". Para isso, quer "chamar as pessoas certas e elaborar um projeto".
E não se importa com a indefinição do partido, ora de braços dados com o PT, ora com o PSDB. "Nem sabia disso. Para mim, não muda muito o lado, não tenho esquerda ou direita. Sou como um cidadão qualquer aí fora e só quero dar o melhor de mim."
LAURA MATTOS
EDITORA DA "FOLHINHA"
Folha de São Paulo

Verba de deputado abastece empresa do próprio assessor


Uma parte do dinheiro das emendas orçamentárias do líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), foi parar numa empresa de um assessor do gabinete do próprio deputado.
Aluizio Dutra de Almeida trabalha com Henrique Alves na Câmara desde 1998, é tesoureiro do PMDB regional em Natal, presidido pelo deputado, e sócio da Bonacci Engenharia e Comércio Ltda.
Deputado há 42 anos, o líder do PMDB é o candidato favorito para assumir a presidência da Câmara na eleição de fevereiro. Tem o apoio da base do governo, da presidente Dilma Rousseff e de partidos da oposição.
Folha identificou pelo menos três prefeituras do Rio Grande do Norte que contrataram a empresa do assessor de Henrique Alves nos últimos anos com recursos da cota do deputado no Orçamento da União, as chamadas "emendas parlamentares".
Na época da contratação, os prefeitos dessas cidades eram do PMDB.
Funcionou assim: o deputado escolheu o destino do dinheiro público, o governo federal liberou o recurso, que voltou para a empresa do assessor lotado no gabinete.

OBRAS
Em 2009, por exemplo, o líder do PMDB destinou R$ 200 mil de suas emendas para a construção da praça da Criança na cidade de Campo Grande, a 265 km de Natal.
Por escrito, ele pediu a liberação do dinheiro ao Ministério do Turismo, conforme ofício obtido pela reportagem. O convênio foi assinado e, no ano seguinte, a prefeitura usou o recurso para contratar a Bonacci Engenharia, do assessor de Henrique Alves. O prefeito Bibi de Nenca também é do PMDB.
Do total do contrato, R$ 175 mil foram liberados pelo Ministério do Turismo nas gestões de Pedro Novais e Gastão Vieira, ministros indicados à presidente Dilma Rousseff pelo próprio Henrique Eduardo Alves dentro da bancada do PMDB na Câmara.
A última parcela deste convênio, no valor de R$ 75,5 mil, saiu no ano passado. Segundo registros do governo, o contrato está com a prestação de contas atrasada.
Em seu site, a Prefeitura de Campo Grande comemora a obra da praça, a ajuda de Henrique Alves e a iniciativa da Bonacci Engenharia em contratar mão de obra local.
Também por meio de emendas do líder do PMDB, desta vez no Ministério das Cidades, os municípios de São Gonçalo do Amarante e Brejinho contrataram a Bonacci para obras em 2008.
A Prefeitura de São Gonçalo, quarto município mais populoso do Estado, fez um contrato de R$ 192 mil com a empresa do assessor de Henrique Alves para pavimentação de ruas. Na época, o prefeito, Jarbas Cavalcanti, também era do PMDB.
Para o mesmo tipo de serviço a Prefeitura de Brejinhos gastou R$ 137 mil com a Bonacci, num contrato assinado pelo prefeito João Batista Gonçalves, outro membro do PMDB, que comandou o município entre 2004 e 2012.
Henrique Alves, 64 anos, é o deputado mais antigo em número de mandatos dentro da Câmara.
Na eleição presidencial de 2002, chegou a ser indicado como vice na chapa do tucano José Serra.
Ele perdeu a vaga em meio ao escândalo de que manteria contas em paraísos fiscais, segundo documentos que estariam anexados no processo de separação entre ele e sua ex-mulher.
Alves foi substituído na chapa de Serra por Rita Camata (PMDB).