domingo, 19 de janeiro de 2014

Ensinar os filhos em casa ganha força no Brasil e gera polêmica

Estimados leitores,o assunto em questão já passou por aqui e certamente sou franca em dizer que concordo plenamente com a ideia dos pais em questão.
Por outro lado reafirmo que respeito a opinião de todos, este blog de forma alguma tem o interesse em ditar o que é certo ou errado, cada pai e mãe é responsável pelo seu filho e sendo assim decide o que melhor lhe convém. Ok
Vamos ao artigo e sintam-se a vontade para expor seu ponto vista.

Uma nova batalha vem sendo travada dentro e especialmente fora das salas de aula do Brasil. A polêmica gira em torno da chamada educação domiciliar, em que famílias optam por ensinar seus filhos na própria casa e não na escola.

De um lado da trincheira estão pais que defendem o direito de eles próprios - e não o Estado - decidirem como e onde os filhos serão educados. Ao se dizerem insatisfeitos com o sistema educacional do país, eles mostram aprovações dos filhos em exames como o Enem para corroborar a eficácia da educação domiciliar.
No outro lado da disputa estão o governo e alguns juristas alegando que tirar uma criança da escola é ilegal, além de alguns educadores, que criticam a proposta, especialmente com argumento de que essa prática colocaria as crianças em uma bolha.

Mais sedimentado em países como os Estados Unidos, o homeschooling (como também é conhecido pela expressão em inglês) vem ganhando fôlego no Brasil. Segundo a Aned (Associação Nacional de Educação Domiciliar), há mil famílias associadas no grupo. Mas Ricardo Iene, cofundador do órgão, calcula que, pela quantidade de e-mails que recebe, sejam mais de 2 mil famílias educando seus filhos em casa no Brasil.

Clique Leia mais: Educação domiciliar cresce nos EUA

O movimento também está conquistando espaço na esfera política. No próximo dia 12, haverá uma audiência pública em Brasília para discutir o tema, na Comissão de Educação e Cultura da Câmara. Na pauta, estará também o Projeto de Lei (PL) do deputado Lincoln Portela (PR-MG), que autoriza o ensino domiciliar.

Advogados da Aned veem na própria Constituição brechas que defendem o direito da família de educar seus filhos (veja box), mas a associação acredita que uma lei específica daria mais segurança aos pais que optam por esta modalidade de ensino.

Por que em casa?

"Quando meu filho tinha 7 anos, um garoto da escola, que tinha 10 anos, batia nele e o perseguia por causa do nosso sotaque baiano", conta Ricardo Iene, cofundador da Aned (Associação Nacional de Educação Domiciliar), que é natural da Bahia, mas mora em Belo Horizonte (MG) há cinco anos. "Também havia um garoto que ficava assediando milha filha."

Ricardo tirou os filhos Guilherme e Lorena da escola por estarem sofrendo bullying
"Fui várias vezes na escola, reclamar, conversar, tentar resolver esses problemas. Mas nunca adiantou." 
O bullying foi um dos motivos que, há três anos, influenciou Ricardo a tirar da escola, Guilherme, de 13 anos, e Lorena, de 15 anos. Mas certamente não foi a única motivação. Tanto para o publicitário que vive em BH como para outros pais ouvidos pela BBC, é sempre um conjunto de fatores que o impulsionam a tomar essa decisão.
Mas um deles parece estar sempre presente: o desejo de estar mais envolvidos e presentes na criação dos filhos.

Clique Leia mais: Mães relatam rotina de ensino domiciliar em apartamento de SP


"Vemos crianças hoje em dia que entram na escola às 7 da manhã e ficam até bem depois das 17h ou 18h, porque elas ficam fazem balé, natação e várias outras atividades. Além da agenda cheia como a de um adulto dessas crianças, mal sobra tempo para o convívio familiar", diz M.L.C, mãe de 4 filhos, todos em homeschool, que não quis se identificar por temor de ser denunciada.


Limbo jurídico

Se, no campo da educação, há uma disputa de argumentos pró e contra o homeschool, na campo jurídico ela é ainda mais acirrada.
O governo afirma que a prática é ilegal. Consultado pela BBC, o Ministério da Educação respondeu: "O MEC entende que a proposta de ensino domiciliar não apresenta amparo legal, ferindo o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), a LBD (Lei de Diretrizes Básicas) e a própria Constituição Federal."
De acordo com a LDB, "é dever dos pais ou responsáveis efetuar a matrícula das crianças na educação básica a partir dos 4 anos." O ECA afirma que "pais e responsáveis têm a obrigação de matricular seus filhos ou pupilos na rede regular de ensino". E o artigo 246 do Código Penal traz detalhes do que chama de abandono e intelectual, para os casos de quem deixa de prover instrução.
No entanto, advogados de famílias que praticam educação domiciliar citam interpretações na lei e lacunas jurídicas que, segundo eles, tiram a prática da ilegalidade.
"Segundo a Constituição, a educação é direito de todos e dever do Estado e da família", diz Alexandre Magno, diretor jurídico da Aned. "Então, o que está na Constituição se sobrepõe sobre o ECA e a LDB. Portanto, se os pais têm o dever de prover educação, têm soberania e liberdade para poderem escolher entre delegar a instrução para uma escola ou eles próprios se incumbirem disso."
Esse limbo jurídico também é reforçado por exames como o Encceja (Ensino Fundamental) e o Enem (Ensino Médio), que certifica alunos que completarem um determinada pontuação mesmo se não apresentarem diplomas das escolas. Algo que, para Alexandre, seria um aval para a educação domiciliar.
Ricardo também sentia falta do envolvimento de outros pais quando frequentava as reuniões na escola dos filhos, tanto das instituições públicas como das particulares. "Muitos pais nem participavam. E aí, ficava ainda mais difícil melhorar a situação da escola."
Outro ponto que impulsionou o publicitário e outras famílias a optarem pelo homeschool é o fato de não concordarem com alguns valores morais passados na escola. Ricardo diz que ele e outros associados da Aned costumam se incomodar especialmente com a abordagem de temas como sexo e homossexualidade. 

Vivendo em uma bolha?

Mas se do lado dos pais praticantes da educação domiciliar só se ouve elogios do tipo "agora meu filho aprende e não apenas decora", do lado dos educadores, o que se vem são dúvidas e críticas. Muitas críticas.
"Se os pais estão insatisfeitos com a escola, há muitas outras alternativas antes de se colocar o filho em uma bolha", afirma a educadora Silvia Colello, professora de Psicologia da Educação e outras disciplinas da Faculdade de Educação da USP.
"Além do mais, qual a lição subliminar que se está passando ao filho ao tirá-lo da escola? Certamente algo como, diante de um problema, basta resolver apenas a minha parte, salvar a própria pele, e o resto que se dane."
Para a educadora, os pais também erram ao acreditarem que com educação domiciliar estão protegendo seus filhos, por estarem em um ambiente amigável, sem bullying, sem competição. "Infelizmente, a vida não é assim. Mais cedo ou mais tarde, essa criança vai se deparar com a realidade. Vai começar em um emprego, por exemplo, onde há competição, bullying, tudo isso."
Silvia também cita a importância da escola não apenas pelo conteúdo, mas também pela convivência que se tem com outras pessoas e o aprendizado que se tem com isso, seja na hora de se aprender a lidar com o outro, de aprender com os colegas, comparar seus trabalhos e até mesmo de lidar com brigas e desentendimentos. "Toda essa vivência é tão importante quanto português, matemática ou história", diz a educadora.
Os homeschoolers, no entanto, dizem que as crianças não vivem em uma bolha e têm essa convivência ao encontrarem amigos no clube, na praça, na igreja ou na casa deles e ao frequentarem atividades, como natação, fotografia e judô. 
"Acho contraditório", afirma a educadora. "Se o problema é a perseguição na escola, não tem bullying na aula de natação?"


'Luta de todos'

A educadora Maria Celi Chaves Vasconcelos, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) aponta um outro problema na prática da educação domiciliar no Brasil de hoje: a falta de fiscalização do Estado. Algo que foi reforçado durante a pesquisa para seu pós-doutorado, sobre o homeschoolinge suas implicações hoje tanto no Brasil como em Portugal. 
"Diferentemente dos portugueses, que já conseguiram colocar todas as suas crianças na escola, nós ainda estamos caminhando para isso. Então, no momento, seria difícil conciliar sistemas diferentes de educação", diz.
"Como o governo conseguiria fiscalizar as crianças em educação domiciliar se ainda não faz isso de maneira satisfatória nem com as próprias escolas públicas?" Segundo ela, em Portugal, as crianças em homeschools são registradas nós órgãos regionais e as autoridades fazem um acompanhamento da educação delas. 
Ela vê aspectos positivos no método, como ensinamentos passados não apenas em salas de aula, mas também em locais como museus e planetários. E acredita que escolha dos pais em relação à educação dos filhos seja algo inevitável no futuro, quando o Brasil atingir suas metas educacionais.
Enquanto isso, Silvia, a educadora da USP, também defende que essa opção é prejudicial ao projeto de educação do país como um todo.
"É claro que a ensino no Brasil ainda está bem aquém do esperado, mas é preciso se ter uma frente de luta e não de alienação. E essa luta não é só do Estado, mas também das escolas, dos pais, dos professores e de toda a sociedade."


Fonte: bbcbrasil 

sábado, 18 de janeiro de 2014

Brasil prepara Polícia de Vigilância do Estado para a Copa do Mundo e Jogos Olímpicos

Depois de milhões de manifestantes exigiram salários justos, menos corrupção, menos impostos e menos intromissão do governo em suas vidas, os políticos brasileiros têm feito exatamente o contrário e agora eles têm as armas e uma desculpa para usá-los: Segurança. A falsa noção de que as ruas são mais seguros se mais policiais são visíveis assumiu as mentes de ambos os políticos e as próprias pessoas.
Desde o ano passado, o Brasil vem treinando milhares de agentes - os números oficiais dizem 10.000 - em situações de combate urbano para lidar com manifestantes em junho próximo, durante a Copa do Mundo e, mais tarde, em 2016, durante os Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro. Na verdade, A Copa do Mundo será um exercício de treinamento sobre como lidar com multidões supostamente revoltantes, deve manifestantes ou provocadores decidir levantar-se para as forças policiais e ilegal em postos de controle que serão colocados pelo menos dois quilômetros de distância de estádios de futebol.
Esses 10.000 policiais armados serão treinados pela Força de Segurança Nacional, um batalhão de soldados de elite ligados ao Ministério da Justiça que se especializam em combate urbano. Somente torcedores com ingressos e imprensa credenciada será capaz de ir além das zonas francas da fala em torno dos estádios.
Coronel Augusto Alexandre Aragon, diretor da Força de Segurança Nacional, disse à imprensa brasileira que a intenção é ter pessoal suficiente nas doze cidades onde as partidas de futebol serão disputados.Aragão admitiu que a decisão de aumentar o pessoal da Força Nacional de Segurança está relacionado com fortes protestos em junho do ano passado.
Segundo o chefe da Secretaria de Grandes Eventos do Ministério da Justiça, Andrei Augusto Passos, o governo já investiu R $ 1,170 milhões de reais ($ 490.000.000) para a compra de equipamentos de segurança e tecnologias, e R $ 3,4 milhões de reais (US $ 1,4 milhões) na formação dos agentes militares.
O novo Estado brasileiro Vigilância
Robôs drones norte-americanos e israelenses são parte do equipamento adquirido pelo governo brasileiro para fazer a Copa do Mundo de 2014 "um dos mais seguros eventos esportivos sempre '.Práticas de vigilância semelhantes foram observados em anteriores eventos desportivos "espetaculares" na Europa e na América do Norte, mas nunca na América Latina.
De acordo com documentos oficiais, o Brasil tem 30 robôs militares dos Estados Unidos e óculos 'Robocop' de estilo com câmeras de reconhecimento facial em que se gastaram cerca de US $ 900 milhões. Os robôs incluem 30 PackBot 510 unidades a um preço de US $ 100.000 US $ 200.000 cada.Eles foram comprados da American iRobot avançado Technology Company.
"IRobot continua a sua expansão internacional, o Brasil representa um mercado importante para os veículos terrestres não tripulados da empresa," Frank Wilson, vice-presidente sênior da iRobot, disse em um comunicado. No melhor estilo hyping americano, os PackBots será operado e usado para detectar e estudar objetos suspeitos remotamente. Mais de 2.000 desses robôs militares estão atualmente estacionados no Iraque e no Afeganistão.
"-Eventos mega fornecer países anfitriões e cidades com a oportunidade perfeita para melhorar a sua credibilidade, provando que eles estão no controle de seus territórios. Portanto, o objetivo não é o de garantir a segurança , por si só , mas para demonstrar uma ilusão de segurança que irá tranquilizar os interessados ​​mega-evento ", dizem os sociólogos canadense Philip Boyle e Kevin Haggerty . "Esta ilusão começa muito antes dos eventos começam, de fato, os funcionários do governo brasileiro declarou no ano passado que eles estavam esperando para fazer a Copa do Mundo de 2014", um dos eventos esportivos mais protegidos da história ". A vontade de superar perpetuamente todos os eventos anteriores para que os países de acolhimento ou de cidades-sede para distinguir-se dos outros tem levado a uma escalada nas contas de segurança. No caso dos Jogos Olímpicos, que passou de 66,2 milhões dólares para Jogos de Barcelona, ​​em 1992, para $ 179.600.000 em Sydney, em 2000, a Pequim, de US $ 6,5 bilhões em 2008, e Londres, de US $ 2,2 bilhões em 2012 ", acrescentaram.
O governo brasileiro tem investido fortemente para a compra de reconhecimento facial óculos da câmera que são capazes de capturar 400 imagens faciais por segundo para armazená-los em um banco de dados central de até 13 milhões de rostos. Alguém disse 1984? De acordo com Boyle e Haggerty, o Brasil goza de uma forte parceria com a indústria de segurança de Israel, representado por empresas como a Elbit Systems, que vindo a fazer negócios com o governo brasileiro há anos.
Na verdade, não é um exagero dizer que a indústria militar israelense é dono de um grande pedaço de estado de segurança do Brasil. De acordo com OpenDemocracy.net, uma companhia conhecida como Rafael Sistemas Avançados de Defesa comprou uma participação de 40% no do Brasil GESPI Aeronáutica. Apenas em 2010, o Brasil e Israel concordaram em iniciar um novo programa de cooperação militar que manteve brasileiros e autoridades israelenses ocupados indo e vindo em conversações secretas cujos detalhes são simplesmente desconhecidos.
Se alguém quiser descobrir o quanto a escalada militar no Brasil é um teatro como público e como a Copa do Mundo e as Olimpíadas são apenas desculpas para ter esse acúmulo, ele ou ela precisa de olhar para a forma como o governo brasileiro negociou abertamente com quadrilhas de traficantes nas grandes cidades e como essas gangues têm permitido ao governo para colocar o exército dentro de favelas para supostamente garantir a segurança durante os dois próximos eventos esportivos. Que tipo de segurança pode fornecer a polícia militar em ' favelas 'ou estádios de futebol fora se é uma das organizações mais corruptos do país?
No entanto, as forças armadas brasileiras também vão operar Hermes 450 drones que estarão a olhar para "atividade suspeita". O que não se sabe é se os drones será cidadãos armados e prontos para matar, como os Estados Unidos fazem no Iêmen, Paquistão e Afeganistão.
Como se vê, os mega-eventos como a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos não são sobre o desportivismo mais. Eles são todos sobre um estado de maior segurança nas cidades onde não há um único sinal de atividades terroristas. Este estado maior segurança torna-se imediatamente um dinheiro que faz a empresa para o complexo industrial militar, que pode contar com os governos cúmplices para criar um problema a fim de gerar uma reação para que ele possa, em seguida, fornecer a solução falsa.O pior de tudo é que a vigilância da polícia do estado nunca vai embora. O novo Estado Vigilância brasileiro está aqui para ficar e os brasileiros têm ajudado a habilitá-lo, permitindo que os políticos e os chamados empresas de segurança a estabelecer-se em seu solo.
"A tendência geral do modo de mega-evento de produção é a de limitar o" direito à cidade "através da instalação de uma nova forma de governar mentalidade que utiliza aparatos de segurança como seu elemento técnico essencial", diz o geógrafo Christopher Gaffney. "Não população informada com uma sociedade civil forte iria apresentar consensualmente a esta proposta estranho, portanto, as funções do aparelho de segurança para estabelecer e garantir essas novas circulações através do exercício da violência."

domingo, 5 de janeiro de 2014

JORNALISTA DENUNCIA "A JOGADA DA COPA"

Governo pode autorizar as empresas aéreas estrangeiras a operar voos internos no país

A ministra Gleisi Hoffmann (Casa Civil) diz que o governo pode autorizar as empresas aéreas estrangeiras a operar voos internos no país, em reação a eventuais aumentos abusivos de preços das passagens na Copa do Mundo.
"Nós não deixaremos de avaliar todas as possibilidades, inclusive abrir o mercado", disse, acrescentando que a ideia em estudo é "autorizar que elas [estrangeiras] operem dentro do Brasil".
A proposta pode ser implementada rapidamente por meio de medida provisória, alterando a legislação atual, que veta operações domésticas de empresas estrangeiras.
A expectativa do governo é que a Copa atraia 600 mil turistas estrangeiros e que 3 milhões de brasileiros circulem pelo país, o que vai afetar o preço tanto de passagens aéreas como de hotéis.
No caso dos hotéis, Gleisi afirma que o governo "não vai tabelar preços, mas vamos usar o que estiver a nosso alcance para que esses preços não sejam abusivos".
Diante das críticas à redução na economia feita pelo governo, Gleisi -que deixará a Casa Civil na reforma ministerial para disputar o governo do Paraná pelo PT– se coloca contra um aumento além do necessário do superavit primário e diz que "não haverá pressão que nos faça reduzir despesas dos programas sociais".
Ao ser questionada se o governo perdeu a batalha dos juros baixos, disse: "Queremos juros baixos, mas jamais vamos permitir que a inflação se sobreponha a isso".
Folha - Como o governo está se preparando para enfrentar problemas como alta de preços de hotéis durante a Copa?
Gleisi Hoffmann - Não vamos tabelar preços, mas vamos usar o que estiver a nosso alcance para que não sejam abusivos.
Sabemos que, em momentos de maior movimentação, há uma tendência de crescer preço pela escassez de oferta. Mas hoje temos avaliadas todas as disponibilidades da rede hoteleira onde haverá jogos da Copa. Na maioria, temos uma oferta maior do que a demanda. Em alguns centros, temos problemas com demanda, e tanto o Ministério do Turismo como o dos Esportes estão tomando providências para que tenhamos a oferta melhorada.
O que pode ser feito para coibir exageros de preços?
O Cade [Conselho Administrativo de Defesa Econômica] vai acompanhar isso de perto, assim também como as organizações estaduais de defesa do consumidor. Já estão com uma força-tarefa.
Já tivemos reunião com o sistema hoteleiro e com as empresas aéreas. Queremos que os preços deem retorno para os empresários, mas que sejam preços justos na época dos grandes eventos.
Esperamos que isso aconteça por meio do diálogo. Se não for possível, usaremos os instrumentos que temos ao nosso alcance para que os preços voltem a um patamar de razoabilidade.
No setor aéreo, os preços das passagens estão subindo e podem subir mais na Copa do Mundo. O governo pode intervir no setor?
Não há uma decisão ainda, mas, obviamente, se houver abuso, poderemos pensar numa medida como essa. Não deixaremos de avaliar todas as possibilidades, inclusive abrir o mercado.
Permitir que estrangeiros aumentem participação nas companhias brasileiras ou autorizar que eles operem dentro do Brasil?
Para você equilibrar realmente o mercado, teria de ser autorizar que eles operem no Brasil.
Dá para fazer rapidamente para a Copa?
Sim, pode ser rápido, é viável, pode ser feito por meio de medida provisória.
E o que será feito na área da segurança e da mobilidade, para evitar distúrbios como os ocorridos durante a Copa das Confederações?
Em primeiro lugar, o governo não é executor de segurança pública, cabe às polícias militares dos Estados a responsabilidade por ela. Mas o governo é também apoiador e colaborador nesta área. Então, sempre que for necessário, as Forças Armadas e a Polícia Federal vão estar à disposição dos governos estaduais para fazer a intervenção e colaborar.
Além disso, o governo assumiu um compromisso com os Estados que vão receber os jogos da Copa a ajudá-los a estruturar a segurança. Já executamos mais de R$ 1,5 bilhão para equipamentos de segurança para a Copa do Mundo. Grande parte já está à disposição dos Estados.
Nenhuma pendência impedirá a realização da Copa do Mundo. Os estádios serão entregues, acredito que o Brasil realizará uma boa Copa.
O mercado estima que o crescimento de 2014 será menor do que o de 2013, que deve ter fechado em 2,3% do PIB.
Eu não vou debater com o mercado, mas tenho certeza de que 2014 será melhor. Todo cenário indica isso. Há uma melhora na economia global, o Brasil começa a colocar em prática investimentos resultados de suas concessões. Vamos continuar com nossos programas sociais e de inclusão, que têm forte impacto na renda.
O mercado tem criticado a política fiscal. Ela é o calcanhar de aquiles do governo?
O governo vai fazer o superavit primário necessário para manter o equilíbrio da dívida/PIB. Não haverá pressão que nos faça reduzir despesas que são voltadas para programas sociais, como Bolsa Família, Minha Casa, Minha Vida, Brasil sem Miséria, Mais Médicos. Isso é compromisso de governo.
A proposta de Orçamento deste ano fixa uma meta de superavit para o governo central de 1,1% do PIB, abaixo da registrada em 2013, de 1,5% do PIB. Ou seja, o governo vai gastar mais neste ano de eleição?
Vou repetir, o primário tem de ser o necessário para manter a estabilidade dívida/PIB, esse é o compromisso do governo e estamos entregando isso. Para você ter uma ideia, a despesa no governo Dilma de 2011 a 2013 cresceu em média 9,3% ao ano, ante média de 14,8% de 2006 a 2010.
Nós temos muita preocupação com o equilíbrio das despesas e receitas no âmbito federal. Estamos fazendo a execução orçamentária no maior rigor.
Qual o principal desafio para o governo em 2014?
Dar continuidade ao processo de concessões, com ferrovias e portos. E continuar com a política social de inclusão e a proteção do emprego.
E a inflação? Há um risco de alta próximo da eleição presidencial.
O governo tem um grande compromisso em não deixar a inflação sair da meta. E vai utilizar todos os instrumentos necessários para isso.
A presidente lançou como meta derrubar a taxa de juros, que chegou a bater em 7,25%. Agora, voltou aos dois dígitos. O governo perdeu a batalha dos juros baixos?
Nós queremos juros baixos, mas jamais vamos permitir que a inflação se sobrepunha a isso. Se precisar, o Banco Central vai usar todos seus instrumentos.
Qual deve ser o principal lema da presidente Dilma na campanha da reeleição? As pesquisas mostram que a população quer mudança.
A presidente tem grande compromisso com a qualidade dos serviços públicos. Desde o início ela tinha esse compromisso. Penso que a população quer exatamente isso, qualidade dos serviços.

Brasil paga aluguel de R$ 54 mil para diplomata em Nova York

O Brasil paga mensalmente US$ 23 mil (R$ 54 mil) de aluguel para o embaixador Guilherme de Aguiar Patriota, número dois da missão do país na ONU, em Nova York.
O contrato do imóvel na região nobre do Upper West Side, celebrado em setembro pela Missão Permanente do Brasil na ONU, foi obtido pela Folha por meio da Lei de Acesso à Informação.
Em geral, diplomatas brasileiros lotados em Nova York, maior centro financeiro do mundo, recebem do governo um subsídio para habitação superior à média oferecida por empresas do setor privado na mesma cidade.
Como comparação, os benefícios de auxílio-moradia pagos por companhias privadas que designam empregados brasileiros a postos de chefia em Nova York são de US$ 7.300 por mês (R$ 17.100), se o profissional for solteiro.
O subsídio sobe para US$ 11.500 (R$ 27 mil) se o alto funcionário tiver dois ou três filhos e para US$ 17.000 (R$ 40 mil) se tiver quatro filhos.
A comparação foi feita pela Folha com base em tabela de referência da consultoria EY (antiga Ernst & Young) e utilizada por companhias dos setores de óleo e gás, bens de consumo, construção e automobilístico.
Questionada, a delegação do Brasil na ONU não informou o tamanho da família do embaixador. Mesmo na comparação com o subsídio mais alto das empresas privadas, o Itamaraty ainda paga 35% a mais de aluguel.
Coincidentemente, o diplomata é adjunto do irmão, o ex-ministro das Relações Exteriores Antonio Patriota, que assumiu a chefia da representação na ONU após ser demitido do cargo no episódio da fuga do senador boliviano Roger Pinto para o Brasil.
O ex-chanceler assumiu o posto em outubro e habita a residência oficial do governo brasileiro em Manhattan.
O imóvel alugado para Guilherme Patriota está localizado na mesma rua onde mora seu irmão, mas do outro lado do Central Park.
HIERARQUIA
A diferença entre valores pagos por empresas privadas e poder público não ocorre só nos postos mais altos, mas também nos inferiores.
Enquanto o Itamaraty desembolsa mensalmente até US$ 6.600 (R$ 15.500) para a moradia de secretários, posto mais baixo na carreira, empresas privadas pagam um valor 36% menor para um empregado solteiro em cargos de entrada (US$ 4.200, ou R$ 9.800), segundo a EY.
Ainda de acordo com a consultoria, empregados do setor privado iniciantes com dois ou três filhos têm direito a US$ 5.800 (R$ 13.600) para morar.
Ao receber o benefício, o servidor do Itamaraty deve descontar 10% de seu salário para custear parte da despesa do aluguel, ainda que o valor em contrato seja inferior ao limite permitido.
Exemplo: se um segundo secretário tem salário bruto de US$ 8.791,24, um montante de US$ 879,12 é descontado todo mês para a moradia.
Assim, se o aluguel escolhido por ele for de US$ 6.835, a quantia entregue pelo governo será de US$ 5.955,88, ainda que o limite máximo seja superior.
OUTRO LADO
O Itamaraty diz que os valores pagos como verba para moradia são estipulados por empresa contratada para fazer "avaliações periódicas do mercado imobiliário" das cidades onde há representação do Brasil.
Para o órgão, "os valores são condizentes com preços do mercado imobiliário local". "As diferenças cambiais devem ser levadas em consideração."
Sobre o aluguel de Guilherme Patriota, o Itamaraty diz que, "a exemplo de todos os embaixadores e cônsules que moram em imóveis alugados, a moradia do representante alterno [nº 2] em NY é residência oficial e, portanto, não é custeada por verba indenizatória [auxílio aluguel]". Em outras palavras, o prédio é considerado parte da embaixada e não obedece aos limites para outros diplomatas.

JOANA CUNHA
DE NOVA YORK
FLÁVIA FOREQUE
DE BRASÍLIA

Itamaraty omite valores pagos para moradia de diplomatas em cidades estrangeiras


O Itamaraty se nega a informar os valores de auxílio-moradia pagos pela pasta em várias cidades estrangeiras.
Há seis meses a Folha fez a demanda, por meio da Lei de Acesso à Informação, sobre o montante pago a diplomatas em 13 localidades -na África, Europa, Ásia e América.
O número corresponde a 6,5% do total de representações brasileiras no exterior.
Para obter os valores citados na matéria sobre a residência de Guilherme Patriota, foram protocoladas mais de 80 solicitações. Após sucessivas negativas, a reportagem insistiu para obter valores de apenas um posto (Nova York). Só então foi atendida.
Apesar de o ministério contratar empresa específica para levantar tais valores em todas as cidades onde o Brasil tem posto diplomático, a pasta citou trecho da legislação que prevê o não atendimento a pedidos em casos que "exijam trabalhos adicionais de análise, interpretação ou consolidação de dados".
O Itamaraty negou o acesso aos valores em dois recursos. No último, alegou que os dados estavam dispersos em "milhares de documentos".
"A cada mês, os referidos postos recebem pelo menos uma comunicação sobre o assunto, o que significa que o atendimento à consulta em apreço imporia a este Ministério o levantamento e a reprodução de, no mínimo, 440 documentos", afirma trecho da resposta, assinada pelo então chanceler Antonio Patriota.
No mesmo texto, no entanto, o Itamaraty reconhece que "os valores relativos à residência funcional não são alterados constantemente. O que existe é a necessidade de informar e/ou confirmar aos postos no exterior, mensalmente, os recursos destinados para a dotação". O pedido aguarda, há quatro meses, uma decisão da CGU (Controladoria-Geral da União).