domingo, 9 de novembro de 2014

Câmara aprova proposta que aumenta repasse aos municípios

O Plenário da Câmara dos Deputados aprovou, na terça-feira (4), o aumento de um ponto percentual dos repasses de impostos federais ao Fundo de Participação dos Municípios (FPM). A medida está prevista na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 426/14, do Senado, que ainda precisa passar por um segundo turno de votação.
De acordo com a proposta, em julho de 2015 passa a vigorar metade do novo repasse e, em julho de 2016, a outra metade será acrescida.
Repasse
A Constituição determina que a União repasse ao FPM um total de 23,5% do produto líquido da arrecadação do Imposto de Renda (IR) e do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Com a PEC, o total passa a 24,5%.
O fundo funciona desde 1967 e sofreu várias mudanças ao longo das décadas. Atualmente, é feito um repasse de 22,5% a cada dez dias; e 1% é acumulado durante um ano para repasse integral em dezembro de cada exercício.
Adicional
Sistemática semelhante será usada para o repasse adicional proposto pela PEC para julho de cada ano. O dinheiro será acumulado para entrega total nesse mês. Relatada na comissão mista pelo deputado Danilo Forte (PMDB-CE), o texto obteve o voto favorável de 368 deputados.
Recursos em queda
Os municípios querem o aumento de recursos do FPM para compensar a queda do total repassado ao fundo nos últimos anos, provocada pela desaceleração da economia e por estímulos à indústria com desoneração da carga tributária por meio da diminuição do IPI.
Segundo a versão da lei orçamentária de 2015 enviada pelo governo, estão previstos R$ 72,8 bilhões de repasses ao FPM. Se mantida essa arrecadação, a PEC garantirá cerca de R$ 1,5 bilhão a mais em 2015.
FPE
Além dos recursos do FPM, municípios pequenos que dependem de repasses contam ainda com 25% dos recursos repassados pela União aos estados por meio do Fundo de Participação dos Estados (FPE) e dos recursos repassados aos estados conseguidos com a Cide-combustíveis. Os repasses às prefeituras são feitos com base em parâmetros divulgados anualmente pelo Tribunal de Contas da União (TCU) em razão da população de cada município e da renda per capita do estado.
Vitória pequena
Segundo o relator, o aumento do repasse pelo fundo interrompe um cenário de dificuldades para municípios localizados nas regiões mais pobres do Norte e do Nordeste, mas ainda é pouco. “Diante da dificuldade de os municípios conseguirem renda própria, o aumento do repasse do fundo será um alívio para os gestores”, afirmou Danilo Forte, destacando que, no Brasil inteiro, há várias demandas da sociedade cuja incumbência é dos municípios. Ele lembrou que cerca de 86% dos municípios, que têm população inferior a 56 mil habitantes, dependem dos recursos do FPM.
Marcha dos prefeitos
O aumento do repasse ao FPM tem sido reivindicado há vários anos em movimentos como a Marcha dos Prefeitos. Para o presidente da Confederação Nacional dos Municípios (CNM), Paulo Roberto Ziulkoski, a medida tem caráter de reforma estrutural e possibilita recompor as finanças municipais.
“Se esperarmos mais algum tempo, quem sabe o governo irá propor outra situação. Então os prefeitos, embora não satisfeitos, aceitaram o melhor que poderia ter sido feito. É importante avançar”, disse Ziulkoski. A CNM defendia o aumento de dois pontos percentuais.
Com informações da Agência Câmara

TSE quer reduzir tempo de campanhas eleitorais e questionar metodologia de pequisas


Passadas as eleições, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) vai encampar a missão de fazer alterações nas campanhas eleitorais. Com a reforma política no centro dos debates, a Corte tenta avançar no tema com a edição de súmulas – para pacificar novos entendimentos sobre Lei da Ficha Limpa e ataques nas propagandas -, discussão de propostas com o Congresso e chamadas de debate sobre pesquisas e contas eleitorais.
“O que depende de lei deve ser feito ser pelo Congresso Nacional. O TSE vai dialogar com as lideranças e procurar estabelecer alguns pontos que as eleições de 2014 deixaram de ensinamento”, afirmou o presidente do TSE, ministro Dias Toffoli.
Já começou
Toffoli afirma que as conversas com os presidentes do Senado e da Câmara já começaram.
Segurança na interpretação
No caso das súmulas, o objetivo é “dar maior segurança na interpretação das leis” para toda a Justiça Eleitoral, do primeiro grau ao TSE. A partir de janeiro, ao menos oito entendimentos tomados nas eleições deste ano podem ser pacificados por súmulas do TSE, entre elas o tom mais duro para exigir propagandas eleitorais propositivas e barrar ataques pessoais.
Unificação
Para o vice-procurador-geral Eugênio Aragão, a Corte precisa se esforçar para ter um único marco normativo em cada eleição, o que não teria acontecido na campanha de 2014. “Vimos uma mudança não muito adequada no curso do processo. Se os novos critérios (sobre propaganda eleitoral) tivessem sido aplicados, talvez a candidata Marina Silva estivesse no 2.º turno”, criticou.
E o Congresso?!
Sobre a relação com o Congresso, Toffoli avalia que a experiência da Corte “credencia” os ministros a realizar “sugestões” de alteração legislativa. “O que se propõe agora é formalizar nossas conversas e apresentar algumas sugestões”, disse o ministro Henrique Neves.
Sugestões
Toffoli tem defendido publicamente redução dos tempos de campanha (para 45 dias) e de propaganda (para três semanas) e fixação de limites de doação e de gastos por candidato. A ideia é também avisar o Congresso que algumas questões exigem tempo de transição – caso da cláusula de barreira.
Prestação de contas
Ainda na lista das mudanças, o TSE vai votar na próxima semana uma nova resolução sobre prestação de contas, na qual se discute, por exemplo, as vedações à doação eleitoral.
Pesquisas
O tribunal também quer chamar em breve os institutos de pesquisa eleitoral para questionar a metodologia utilizada, por causa das disparidades de resultados neste ano.
Com informações da Agência Estado