segunda-feira, 3 de novembro de 2014
A grande farsa Munduruku: Entenda como o interesse internacional usa os índios contra o desenvolvimento do Brasil
Em maio de 2012 a grande impressa nacional noticiou que os índios munduruku haviam negociado sua terra com uma empresa internacional por US$ 120 milhões. O acordo firmado com a empresa irlandesa Celestial Green cedia o direito de negociar no mercado internacional, pelos próximos 30 anos, os créditos de carbono obtidos com a preservação da terra dos índios e garantia acesso irrestrito da empresa ao território. O acordo também transferia à empresa o direito a qualquer benefício ou certificado obtido a partir da biodiversidade local e impedia os índios de promoverem qualquer atividade que pudesse afetar negativamente a concessão de créditos de carbono da empresa. Os índios passara de depender da autorização da Celestial Green até mesmo para erguer casas ou abrir novas áreas de plantio. O acordo repercutiu mal da opinião pública. Ficou parecendo que os índios estavam vendendo a Amazônia. Logo, os indigenistas entraram em ação e a negociata dos munduruku com a Celestial Green foi desfeita. Dois meses depois, em julho de 2012, depois de um entrevero entre um índio e moradores não indígenas, um grupo de 30 munduruku invadiu a sede do município de Jacareacanga, no Pará, tomou o destacamento da Polícia Militar no local e roubou várias armas de fogo incluindo revolveres calibre .38 e sub metralhadoras.
Índios munduruku exigem as armas roubadas do destacamento da polícia militar de Jacareacanga Em novembro de 2012, após 10 meses de investigação, a Polícia Federal deflagra uma operação de combate ao garimpo ilegal de ouro no rio Teles Pires, afluente formador do Tapajós. As investigações apontaram o envolvimento de lideranças dos índios munduruku no esquema. Escutas telefônicas autorizadas pela Justiça mostraram que o cacique Camaleão Munduruku negociou autorizações para garimpeiros não indígenas explorarem a área. Segundo a PF, três empresas são suspeitas de repassar dinheiro ao cacique para extrair o ouro. Ainda de acordo com a PF, os índios recebiam R$ 420 mil por mês obtidos pela garimpagem ilegal de ouro na região. Ouça aqui parte das gravações da Polícia Federal: Escutas da PF mostram índios de MT e PA negociando extração de ouro Ao desembarcar na área para explodir o esquema criminoso os policiais foram recebidos a bala pelos índios. Reagiram. O indígena Adenilson Krixi Munduruku morreu no confronto. O garimpo foi fechado, as balsas que faziam a extração ilegal de ouro foram destruídas e as armas dos índios forma apreendidas. A Funai disse na ocasião que a apreensão das armas dos índios pela PF e o fim da renda gerada a partir dos garimpos ilegais, deixaram os indígenas numa situação de urgência extrema. "A Funai está atrasada com suas ações de promoção naquela região", disse na época a então diretora de Promoção ao Desenvolvimento Sustentável da Funai, Maria Augusta Assirati. "E não dá pra fazer, esse ano, nenhuma ação concreta. Vou ser sincera com vocês. [Mas] cesta básica a Funai jamais vai se negar [a distribuir], se for constatada necessidade", disse Guta na ocasião. Hoje, Maria Augusta é presidente da Funai. Três meses depois da operação da Polícia Federal, um grupo de caciques muduruku desembarcou em Brasília. “A Polícia Federal foi à comunidade e assassinou um índio, feriu dois, destruiu embarcações e nenhuma providência foi tomada até hoje”, disse à Agência Brasil, Valdenir Munduruku. Na ocasião, o porta foz do povo munduruku disse abertamente que permitia o garimpo ilegal na área. “Deixamos (garimpar) para que a comunidade pudesse se manter, porque o governo não nos dava qualquer outra opção. O Ministério Público e a própria Funai tinham conhecimento", declarou Valdemir Munduruku. Os índios exigiam que a garimpagem fosse retomada. Os três episódios ocorridos em um espaço de tempo tão curto deixaram os índios munduruku em má situação perante a opinião pública. Ocorre que os índios munduruku são estratégicos para os interesses internacionais no Brasil. Eles vivem próximos ao Rio Tapajós: a última fronteira hidroelétrica do Brasil, que pretende construir três mega usinas no rio. Era preciso reconstruir a imagem idílica dos índios munduruku e o movimento indigenista agiu rápido. Na semana passada os indigenistas organizaram um grande teatro nas matas da Amazônia. Convenceram os índios a fazerem expedições de caça contra garimpeiros ilegais. Tudo foi devidamente fotografado e filmado para que a armação pudesse repercutir internacionalmente. O fotografo Lunaé Parracho, que estava impressionantemente no lugar certo e na hora certa, foi encarregado de registrar tudo.
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